Açude Gavião recebe experimento pioneiro que melhora qualidade da água

24/10/2019

Processo inovador de fotocatálise está sendo utilizado em reservatório cearense para melhorar níveis de qualidade da água; Ação é uma parceria das Universidades da Escócia e Irlanda do Norte, com Cogerh, Cagece, UFRJ e UFC

Processo de Fotocatálise heterogênea no açude Gavião

Lidar com condições climáticas adversas típicas de regiões semiáridas exige, além de estruturas hídricas eficientes, ideias inovadoras. Cada vez mais atenta, a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) voltou o olhar para um projeto de melhoria da qualidade da água, que utiliza processos físico-químicos em escalas pequenas para controlar as cianobactérias do meio aquático, “limpando” a água.

Pesquisadores das Universidades St. Andrews e Robert Gordon, da Escócia e da Queen’s University, da Irlanda do Norte, com o apoio da gerência de desenvolvimento Operacional da Cogerh, Cagece e UFC, vem testando, desde a última sexta-feira (18), o protótipo do projeto no Açude Gavião, região metropolitana de Fortaleza.

Após dois anos de estudos em laboratório, esta foi a primeira vez que o protótipo foi testado. O açude Gavião foi o primeiro no mundo a receber o experimento. Em reunião na sede da Cogerh, os doutores Jianing Hui, da Universidade de St. Andrews, Carlos Pestana, da Universidade Robert Gordon e Nathan Skillen da Universidade Queen’s, discutiram sobre os resultados prévios com técnicos e diretores da companhia. As amostras colhidas após o experimento mostraram que usando a tecnologia de fotocatálise heterogênea, a água apresentou uma redução na concentração de cianobactérias, apresentando aspecto mais “limpo”.

 

Pesquisadores na sede da Cogerh explicando o procedimento

Para o pesquisador Carlos Pestana, o experimento foi melhor do que o esperado. “Estamos muito surpresos com o resultado, foi acima de todas as expectativas”, comemorou. “Outros parâmetros técnicos serão avaliados pelos pesquisadores para posteriormente pensarmos na aplicabilidade comercial”, analisou Mário Barros, doutor e especialista em recursos hídricos da Cogerh. A previsão é que no inicio de 2020, os pesquisadores retornem com mais resultados validados, já que o grupo vai levar as amostras para a Escócia, para realização de mais estudos. O grupo ainda planeja retornar ao Estado durante a estação chuvosa para avaliar os resultados durante o período.

 

Primeiros resultados após o experimento. Na esquerda, água após o processo de fotocatálise com dióxido de titânio. Na direita, água sem o tratamento.

A qualidade da água é uma preocupação constante da Cogerh. As precipitações irregulares e a baixa renovação da massa de água, comuns no Ceará são fatores favoráveis não só ao processo de escassez de água, mas também ao fenômeno da eutrofização nos reservatórios hídricos. A eutrofização é a concentração excessiva de nutrientes na água, algo que afeta a qualidade da água e exige um maior esforço para torná-la potável.

O projeto envolve as Universidades Federais do Ceará e do Rio de Janeiro, com parceiros do Reino Unido (Robert Gordon University em Aberdeen, Universidade de St. Andrews, na Escócia; e Queen’s University em Belfast, Irlanda do Norte) e com o apoio da Cagece e da Cogerh, através das gerências Metropolitana e de Desenvolvimento Operacional, vinculadas à Diretoria de Operações.

Entenda

As cianobactérias presentes em ambientes eutrofizados e seus metabólitos secundários tóxicos podem representar um risco para a água potável. Aplicando um processo físico-químico chamado fotocatálise heterogênea, os parceiros do projeto buscam fornecer um sistema de tratamento barato e ecologicamente correto, que se apoia na energia solar e no uso de produto químico chamado dióxido de titânio (TiO2) para melhorar a qualidade da água. Com a ação da luz, juntamente com TiO2, é criado um poderoso oxidante que pode remover organismos, principalmente as cianobactérias, e compostos orgânicos indesejáveis da água potável sem afetar a segurança ou a qualidade da água.