Os dois primeiros meses da quadra chuvosa (fevereiro e março) foram, de modo geral, positivos para as reservas hídricas do Estado. Hoje, a acumulação total dos açudes cearenses monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) registra 26,7 %, valor acima dos 14% registrados no mesmo período no ano passado. A recuperação dos reservatórios, entretanto, é lenta e o cenário hídrico ainda inspira cuidados.

A irregularidade das chuvas é uma das características mais notáveis do semiárido cearense. Conforme explica o diretor de Operações da Cogerh, Bruno Rebouças, este ano elas estão mais bem distribuídas, contribuindo para o aporte em alguns açudes do Estado. “Este ano estamos observando chuvas mais regulares e o aumento no nível de alguns reservatórios. No entanto algumas bacias hidrográficas, como a do Banabuiú, no sertão central, ainda se encontram com volume muito baixo, em torno de 10% de acumulação. A bacia do Médio Jaguaribe, onde está o Castanhão, é outro exemplo de reservação hídrica baixa, embora siga recebendo água. Temos esperança de que em abril haja permanência das chuvas para que possamos ficar numa situação mais tranquila”, explicou Bruno.

Em março deste ano os aportes deram um salto. Foram 2,4 bi de metros cúbicos no acumulado mês, contra 680 milhões em março de 2019. Nesse cenário, o Castanhão foi o reservatório que mais recebeu aportes durante a quadra chuvosa de 2020 até o momento: foram 548,6 mi de metros cúbicos, sinalizando início de recuperação.

Nas porções mais ao norte e litoral, o nível dos reservatórios é mais confortável, enquanto as porcões mais ao sul, região jaguaribana e de Crateús iniciam uma cautelosa recuperação. “Temos um déficit que vem se acumulando desde 2012, então só uma quadra excepcional para reverter esse quadro de uma só vez. Estamos atravessando uma boa quadra chuvosa, mas ainda precisamos permanecer diligentes”, adverte o presidente da Cogerh, João Lúcio Farias.

Dados do monitoramento da Cogerh indicam que até o momento, 60 açudes ainda estão com volume menor que 30%, 33 estão sangrando e seis registram nível superior a 90%.

 

Açudes Estratégicos

Dos três maiores açudes do Estado: Castanhão, Orós e Banabuiú, somente os dois primeiros registraram maiores aportes. O nível do Castanhão está em torno dos 10%, já o Orós acumula 16%. O salto foi mais tímido para o Banabuiú, que cresceu pouco e está com 7% do volume total acumulado. Neste cenário, a mensagem ainda é de economia, segundo frisa Bruno Rebouças “Não podemos deixar de lado o cuidado com economia de água e refirmo aqui a necessidade da sociedade permanecer com o consumo reduzido”, frisou.

 

Setor de Produção

Desde 2015 o setor produtivo vem passando por restrições quanto ao fornecimento de água, quando o volume dos reservatórios, de forma geral, passou a cair. O esforço para garantir que a produção continue erguida é grande, conforme frisa o presidente da Cogerh. “Estamos garantindo, com muito empenho, alguma irrigação em áreas mais afetadas pela seca. Agora estamos acompanhando a possibilidade de ampliá-la, principalmente para o período pós pandemia, quando a economia do Estado precisará dos meios disponíveis para se reerguer”.

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