Participar da gestão é preservar a água.
É preciso levar em consideração a complexidade das mobilizações e sua importância para a gestão dos recursos hídricos. (Francisco José Coelho Teixeira - Jornal O povo - Opinião - 23/08/2008)
A Política Estadual dos Recursos Hídricos estabelece que a sua
gestão deve ser realizada de forma integrada, descentralizada e
participativa. Para isso é desenvolvido um processo continuado de
sensibilização, mobilização e capacitação dos atores sociais;
divulgação e implementação dos instrumentos de gestão e
descentralização da ação de gerenciamento nas bacias, garantindo assim
um envolvimento social efetivo e consciente na gestão da água.
O gerenciamento das bacias hidrográficas é realizado de forma
descentralizada, primando por uma maior presença dos usuários de água
nas bacias hidrográficas, propiciando um menor tempo de resposta na
gestão do uso, controle e conservação dos recursos hídricos. Para isso
foram instaladas oito Gerências Regionais, desenvolvendo ações
importantes de operação, manutenção e monitoramento dos sistemas
hídricos gerenciados pela Cogerh, bem como atuando como Secretaria
Executiva dos Comitês de Bacias Hidrográficas.
Os Comitês de Bacia Hidrográfica - CBHs, são órgãos colegiados,
previstos no termos da Lei nº 11.996, de 1992 e integrantes do Sistema
Integrado de Gestão dos Recursos Hídricos do Estado (Sigerh), com
atribuições, consultivas e deliberativas, com atuação na bacia ou
sub-bacia hidrográfica de sua jurisdição.
Atualmente estão instalados dez comitês dos 11 previstos no Plano
Estadual de Recursos Hídricos. Os comitês são compostos por
representantes de instituições governamentais e não-governamentais,
divididos em setores de Usuários (30%); Sociedade Civil (30%); Poder
Público Municipal (20%); Poder Público Estadual/Federal (20%).
Para a constituição dos comitês no Ceará foi desenvolvido, pela Cogerh,
um amplo processo de mobilização social nas bacias, adaptando a
metodologia às especificidades históricas, hídricas, ambientais e
culturais. É preciso levar em consideração a complexidade das
mobilizações e sua importância para a gestão dos recursos hídricos.
Nesse sentido, mobilizar não se trata apenas de animar a comunidade,
organizar reuniões, conscientizar ou sensibilizar as pessoas sobre a
importância da água. O objetivo central é garantir a participação
efetiva dos atores sociais em relação ao uso, controle e conservação da
água, ou seja, garantir as condições para a participação social na
concepção, planejamento e execução das políticas públicas para o
setor.
Outro espaço importante de participação social para a gestão da água
são as Comissões Gestoras, que são organismos criados com o objetivo de
promover, de forma conjunta com os CBHs e os Órgãos Gestores, a
alocação negociada de água, a definição de critérios de uso racional e
o debate sobre a preservação ambiental dos açudes onde atuam. O Pacto
das Águas se apresenta como um relevante espaço capaz de articular
todos os personagens envolvidos nesse processo, levando essa reflexão a
diferentes espaços de discussão política de forma avaliativa e também
propositiva.
Francisco Teixeira é presidente da Companhia de Gestão dos Recursos
Hídricos.




