Inspeções

O objetivo das inspeções é identificar anomalias ou preocupações que afetam potencialmente a segurança da barragem, tanto na parte civil como na parte hidromecânica dos açudes. A lista permite acompanhar a evolução das anomalias através da indicação da sua situação (aumentou, diminuiu, desapareceu, etc), da sua magnitude (insignificante, pequena, média e grande) e do seu nível de perigo (nenhum, atenção, alerta e emergência).
As atividades incluem visitas técnicas de campo aos açudes monitorados pela COGERH. Estas visitas visam inspecionar e diagnosticar o estado geral da infra-estrutura física das barragens e equipamentos hidromecânicos das tomadas de água através de inspeção visual, fotos e preenchimento de listas de inspeção(chek-list).
Essas listas de inspeção permitem a GESIN detectar e hierarquizar os problemas encontrados, agindo neles de acordo com o risco que representam. O documento exige ainda a indicação da magnitude do problema para classificar o nível de risco de cada problema bem como o procedimento de acompanhamento do mesmo. A magnitude do problema é que determina a ação que será executada no local.
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Em falhas insignificantes, o AGIR (Agente de Guarda e Inspeção de Reservatório) mantém o problema sob observação. As pequenas anomalias são corrigidas pelo próprio AGIR.
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Em problemas de médio porte, é solicitada a atuação do gerente de bacia.
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Nos casos considerados grandes, a GESIN é acionada para fazer o levantamento do problema, elaborar o projeto e executar a obra de intervenção.
Na GESIN foram idealizadas e formuladas as listas de inspeções de rotina e formais de barragens de terra e de concreto, e iniciadas as primeiras inspeções formais a partir do ano de 2000. Atualmente as inspeções são feitas nas listas de inspeção formal, constituindo parte da cultura da Companhia em face do número de inspeções realizadas. As inspeções formais foram programadas a serem realizadas semestralmente nas barragens estaduais, e são generalizadamente chamadas pelos técnicos de check-lists.
A Experiência da GESIN em Segurança de Barragens serviu como referência para criação de manuais para o Ministério de Integração Nacional: Manual de Segurança e Inspeção de Barragens (2002); Manual de Preenchimento de Ficha de Inspeção de Barragem (2005).
Segundo o Manual de Segurança e Inspeção de Barragens do Ministério da Integração Nacional (2002), em sua apresentação:
“As barragens são obras geralmente associadas a um a elevado potencial de risco devido à possibilidade de um eventual colapso, com conseqüências catastróficas para as estruturas das próprias barragens, ao meio ambiente, com destruição da fauna e da flora, e, principalmente, pela perda de vidas humanas”.
Ainda de acordo com o Manual:
“... somente através da supervisão e inspeção periódica de barragens e reservatórios é que se poderá exercer um controle permanente da sua segurança no sentido de se evidenciar a necessidade de serviços periódicos de manutenção e, em última instância, alertar sobre a iminência de um colapso da estrutura, pondo eventualmente em execução esquemas especiais de segurança, como por exemplo, a evacuação de populações situadas a jusante.”
As inspeções de barragens podem ser de rotina, formal, de especialista ou de emergência.
As Inspeções rotineiras são aquelas executadas pelas equipes locais de operação e manutenção, como parte regular de suas atividades. A freqüência dessas inspeções deve ser semanal ou mensal. Não geram relatórios específicos, mas apenas comunicações de eventuais anomalias detectadas.
A Inspeção formal composta por uma lista de anomalias, no formato de um ckeck-list, permite acompanhar a evolução das anomalias através da indicação da sua situação, sua magnitude e o seu nível de perigo. As inspeções formais são feitas por gerentes e técnicos, devidamente treinados e capacitados, das oito gerências regionais e pelos engenheiros da Gerência de Segurança e Infra-estrutura da COGERH (GESIN). Normalmente são realizadas obedecendo a uma lista previamente definida de itens (“check-list”) que cubram todas as partes, estruturas, equipamentos e aspectos do funcionamento da barragem. Delas resultam relatórios contendo as observações de campo e as recomendações pertinentes. Engloba os seguintes campos de avaliação:
- Situação: permite uma indicação da existência da anomalia e de sua evolução no tempo e no espaço, tais como: aumentou, diminuiu, permaneceu constante, o item não é aplicável, anomalia não existe, desapareceu, item não inspecionado;
- Magnitude:(P-Pequena) determina se a correção será executada pelo responsável local da barragem, (denominado de AGIR), ou se dependerá de apoio da gerência da bacia (M - Média) ou da GESIN (G - Grande) ou se a anomalia deve ser simplesmente mantida sob observação (I-Insignificante);
- Nível de Perigo: 0 –Nenhum, 1 – Atenção, 2 – Alerta e 3 - Emergência.
As inspeções especiais são aquelas executadas por especialistas da área relativa a algum problema detectado em uma inspeção rotineira ou formal. Sua realização requer o estudo prévio do projeto e de toda documentação disponível. Não existe uma freqüência para sua realização e ocorrem sempre que um problema exija a participação de um especialista para seu diagnóstico e solução. Delas deve resultar um relatório específico capaz de orientar de forma conclusiva o encaminhamento da solução. A GESIN tem convocado os membros do Painel de Inspeção e Segurança de Barragens (PISB) da Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH/CE) para o apoio nas soluções de problemas ocorridos, tais como os das barragens de Olho d’água, Jaburu I, Pacajus e Rosário, nos anos de 2003, 2004 e 2005.
As inspeções de emergência são aquelas executadas por especialistas das diversas áreas relativas à emergência em curso, bem como membros da equipe técnica e operacional do proprietário. Devem estar presentes pessoas com autoridade suficiente para tomar as decisões que venham a se tornar necessárias no caso da situação se agravar e medidas drásticas tenham que ser adotadas. Acontecem em resposta a uma emergência e obviamente não existe uma freqüência para sua realização. Apesar das condições em que se processam, delas deve resultar um relatório específico capaz de justificar as medidas eventualmente adotadas, contendo diagnóstico, análise e histórico do acidente. A erosão do canal de restituição do sangradouro do açude Rosário, em fevereiro de 2004, constitui exemplo de uma situação de emergência quando foram tomadas ações imediatas, - com o apoio da direção da COGERH e gerência regional do Crato - que permitiram o controle da situação.
Os gerentes e técnicos treinados da COGERH efetuam inspeções periódicas formais através de preenchimento de check-lists especialmente elaborados para atender as características das barragens estaduais. Estes são posteriormente armazenados num banco de dados para o controle e acompanhamento das anomalias coletadas, o sistema é denominado de Sistema de Segurança de Obras Hídricas – SISOH.
As atividades de inspeções formais e de rotina foram iniciadas de forma sistemática na COGERH no ano de 2000. Até o ano de 2006 foram realizadas 596 inpeções, no qual foram realizadas 106 inspeções em 73 açudes. O gráfico abaixo apresenta a Evolução Anual das Inspeções.
O SISTEMA DE INSPEÇÃO DE SEGURANÇA DE OBRAS HÍDRICAS (SISOH)
O SISOH é um programa de computador instalado na GETIN (Gerência de Tecnologia da Informação) que permite armazenar em banco de dados as informações coletadas nas fichas de inspeção de modo a possibilitar a realização de cálculos e o manuseio destas informações rapidamente, bem como a emissão de relatórios. Este sistema foi desenvolvido na COGERH, no qual foram feitas modificações para adaptá-lo às novas fichas de inspeção e para incluir o cálculo da Pontuação de Nível de Perigo e teve os seus relatórios alterados. O sistema foi elaborado em DELPHI e que usa o banco de dados ORACLE.
A entrada dos dados no sistema é feito a partir de telas que são apresentadas no monitor do computador. Estas telas reproduzem o formato das fichas de modo a facilitar a digitação.




