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Sistemas de Suporte à Decisão

A Lei das Águas do Brasil, no 9.433 de 08/01/97, estabelece entre os fundamentos da Política Nacional de Recursos Hídricos, que a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico e que a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas.

Essa constatação de que o recurso é limitado e os usos são múltiplos, já amplamente aceita, induz a uma questão óbvia de: “Como utilizá-la adequadamente?”.

Livremente utilizada quando a oferta é abundante, a água torna-se foco de conflitos crescentes à medida que essa oferta passa a ser insuficiente para satisfazer às diversas demandas, tornando-se um recurso escasso.

Nas últimas décadas cresceu prosperou uma metodologia de auxílio à tomada de decisões baseada na intensa utilização da modelagem matemática e de bases de dados, propiciada pela rápida evolução dos computadores. Essa metodologia, genericamente conhecida como “Sistemas de Suporte a Decisões”, vem sendo aplicada com sucesso a diversos campos da atividade humana em que o problema de tomada de decisão é muito complexo, como é o caso do gerenciamento e do planejamento de recursos hídricos.

Não existe no meio científico um consenso quanto à definição do termo Sistema de Suporte a Decisões – SSD. Uma das aceitas, define SSD como: sistemas computacionais cujo objetivo é ajudar indivíduos ou grupos organizados no processo de tomada de decisões para solução de problemas não-estruturados, ou parcialmente estruturados.

Algumas características importantes em um SSD:

O SSD deve:

  1. assessorar o usuário na solução de problemas não-estruturados;
  2. responder, rápida e convenientemente, perguntas do tipo “o que acontece se”, por meio execuções múltiplas de um ou mais modelos;
  3. apresentar uma interface adequada para comunicação usuário-máquina;
  4. apoiar e aprimorar o julgamento humano e não tentar substituí-lo;
  5. permitir a incorporação de julgamentos subjetivos e de conhecimentos de especialistas.

Existem algumas características comuns aos problemas ditos não-estruturados:

  1. formulação vaga, com definição pouco precisa do papel dos agentes envolvidos;
  2. o ambiente decisório é mal conhecido ou muito complexo;
  3. complexidade do problema é tal que dificulta ou impossibilita a utilização de algoritmos bem conhecidos;
  4. os dados, informações ou até mesmo conhecimentos são limitados;
  5. a presença de vários tipos de incertezas.

Na área de recursos hídricos, os SSDs são particularmente valiosos em face da complexidade que, em geral, caracteriza o processo de tomada de decisões. Apesar disso, o seu uso é relativamente restrito, apesar de crescente.

Ao considerar, especificamente, a avaliação econômica da alocação de recursos hídricos, mais complexas se tornam as decisões e maior seria a utilidade dos SSDs. No que se refere ao tratamento econômico da água, a maioria dos trabalhos pesquisados na literatura consultada, sobretudo internacional, está relacionada à avaliação de usos específicos da água em determinados setores. Alguns analisam perdas e ganhos (trade-offs) associados a alterações de alocação, geralmente entre dois usos específicos. Pouca atenção, no entanto, tem sido dispensada ao estudo de sistemas de suporte à decisão para avaliação econômica integrada de usos múltiplos da água no contexto de uma bacia hidrográfica.

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